
Frigoríficos que operam no Estado devem fechar as contas de janeiro com maior ociosidade, após experimentar estabilidade ao redor de 30% desde setembro de 2009. De acordo com o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs), que concentra 55 empresas responsáveis por 75% dos abates oficiais do Estado, tem havido muita dificuldade na compra de matéria-prima nos últimos 40 dias. Nem o pagamento adicional de 10% sobre o preço da carcaça impulsionou suficientemente a oferta.
Surpreso com a escassez de produto no mercado, o presidente do Sicadergs, Ronei Lauxen, acredita que a escassez está relacionada ao clima favorável e às pastagens. Os pecuaristas aproveitam as altas temperaturas combinadas com chuvas quase diárias, que beneficiam o pasto nativo, para engordar o boi. Porém, o freio na entrega de reses também visa a pressionar a valorização. "As indústrias correm atrás de boi, mas estão inflexíveis quanto a preço. Só afrouxam quando a situação está crítica; aí se abastecem e saem do mercado", explica Arthur Villamil de Castro, pecuarista em Dom Pedrito. Em janeiro, ele reduziu as entregas em 10%, por considerar os preços abaixo da realidade.
A queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos ainda não chegou ao consumidor. De acordo com o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Longo, os preços dos cortes da carne bovina estão estáveis. Ele não vê motivo para elevação, já que as indústrias foram beneficiadas pela desoneração tributária concedida pelo governo federal em outubro de 2009 com a suspensão da cobrança de PIS/Cofins por tempo indeterminado. Mas parte da estabilidade, admite, está no consumo de costela uruguaia.
O CENÁRIO DOS ABATES
Entre os meses de janeiro e dezembro de 2009, os abates sob inspeção totalizaram 1,42 milhão de cabeças de gado no Rio Grande do Sul;
Após avanço de 3,82% em relação a 2008, a tendência é de queda;
Desde novembro de 2009 o preço da carcaça subiu de R$ 4,70 para R$ 5,20 o quilo.
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